Oh que alívio que eu tenho
daqueles colegas de infância
com seus mundos cor-de-rosa,
heróis de história em quadrinho,
coca-cola, chiclete, carmanguia,
lencinhos perfumados, documentos,
que os anos não trazem mais.
Como eram frios os versos
profundamente românticos!
e cospe na cara do eu-lírico
que caça borboletas azuis.
Oh que alegria que eu trago
das minhas gazetas da infância,
daquelas tardes jongueiras
com tudo quanto é quitute,
Oh que saudades que eu tenho
da minha Avenida Central,
e comidos nos Arcos da Lapa
e seios de Marilyn Monroe.
que nunca esbarrou com Cupido!
nas tabernas da Praça Mauá
nem trocou beijos calientes
entre senha e contrassenha
aos cicios "pela revolução!"
nas esquinas da Rio Branco.
por meu boulevard sem Paris
da minha Avenida Central,
para agradar ditos-cujos,
e ria com meus olhos leigos
da anarquia arquitetônica
daquele casario sem eiras,
que o Pereira "passo" extinguiu
e Che Guevara era bandeira
Ai que saudades que eu tenho
como um palco a céu aberto
p'rum coro de cem mil vozes
Mas "saudade" que eu sinto,
"saudades" que me doem fundo mesmo,
são da Avenida Rio Branco
no auge dos meus quinze anos,
dos "bailes" que eu dei nos "ome"
com o saco de bola de gude,
do Wladimir trepado no poste
gritando "Abaixo a Ditadura!"
alheio ao gás lacrimogêneo,
das balas com endereço certo
e o sangue correndo solto......
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São "saudades" que a palavra
lhes recusa a assinatura,
coisas muito duras para esquecer
que os anos não tragam mais.
Por isso eu sigo cantando