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terça-feira, 1 de janeiro de 2019

Filipeta de Haicais nº 01 Dez 2018 * Antonio Cabral Filho - Rj

*Filipeta de Haicais nº 01 / Dezembro 2018*
- Flor do Baobá-
Dazibao Gaijin Haicais

A língua de fora:
no solstício de verão
a cadela chora
Araken Guedes Barbosa - PE

Sobre a areia quente:
um lagarto pisoteia
na ponta dos pés 
Araken Guedes Barbosa - PE

Bolo de fubá,
saindo do forno agora:
saudade da roça.
Ester Figueiredo - Rj

Apos a queimada,
um broto surge das cinzas:
A vida resiste.
Antonio Cabral Filho - Rj

Eu de canoa
Cruzando as águas de um rio
Que vida boa!
Isac de Melo 
Rio Branco Acre

Areia quente paca!
Cão, tatu, gato também
estão derretendo!
Oliveira Caruso - RJ

Cedo e o sol a pino,
suor descendo no rosto:
verão causticante.
Ester Figueiredo - Rj

Roubei uma flor
Dei a ela de presente
Um brinde ao amor
Isac de Melo
Rio Branco Acre

Adeus meu amor

Preciso seguir com a revoada
a primavera chegou.
&
 Fé haikai

Coincidência
é modo de Deus 
permanecer anônimo.
&
Falo com estrelas...
Louca?
Nem por um punhado de vento!
&
Idas e voltas
Reverência a tua sorte
Brindes à morte
&
A estrela é guia
Nasce a esperança
A paz irradia
Lina Ramos - PI

Fiz ovos fritos
no asfalto de Niterói
hoje de manhã.
&
Protetor solar
no rosto e no corpo exposto
está adiantando?
Oliveira Caruso - RJ

Na fresca manhã,
Atobás atacam barcos:
Fartura de peixes. 
Antonio Cabral Filho - Rj

Ouço o som do sino
atendamos ao chamado
nasceu Deus-Menino.
Ester Figueiredo - Rj

Luz fosforescente:
Arvore de Natal cheia,
Papai Noel foi-se.
Antonio Cabral Filho - Rj

Natal...mesa farta
Jesus esteve presente
na fé e na mente.
Ester Figueiredo Rj

nascido nos envaidece
a madurez não aconteceu
desenvoltos consomem
Lina Ramos-  PI.

Garça cochilando
à margem do ribeirão: 
É hora da sesta.
Antonio Cabral Filho.Rj

Céu azul de manhã
as aves estão alegres
novo dia surge...
Ester Figueiredo - Rj

No tilintar das taças
está a união das raças:
Brinde ao Ano Novo.
Ester Figueiredo - Rj

Tarde sombria
Potro saltita no campo
Vem tempestade
Isac De Melo
Rio branco Acre
*

quinta-feira, 29 de junho de 2017

Araken Guedes Barbosa: Haicais * Antonio Cabral Filho - RJ

Araken Guedes Barbosa
 : Haicais
***
Araken Guedes Barbosa
 é alagoano de Rio Largo, nascido em 04 de outubro de 1947, filho de João Guedes Barbosa e Maria Madalena Barbosa. É irmão de Olga, Cecy, Hugo e Iran. Pai de João Temudjin, Janine e Toshimitsu. Casado com Ângela Alves de Araujo Barbosa. Trabalha na UFPE - Universidade Federal de Pernambuco, em Recife, no CAC - Centro de Artes e Comunicação, Departamento de Letras.  É praticante do Aikido (Shodan) faixa preta primeiro grau. Fundou o Grêmio Haicais Arrecifes, escreve haicais e pratica a pintura Sumi-ê. 

É Professor Adjunto do Departamento de Letras da UFPE, onde realizou seu doutorado em linguística aplicada ao ensino de línguas em 2005, título A Paráfrase como proposta linguístico - pedagógica  para uso no ensino de línguas. Bolsista fulbright junto à George Mason  University, fairfax,  onde lecionou inglês no ELI (Englihs Language Institute) EUA, (inverno 2000). Possui mestrado em letras também pela UFPE com o título O Ensino de Inglês nas Escolas Públicas de Recife: uma contextualização duvidosa? em 1989. Participou de uma extensão universitária  na Yokohama National University - YNU, oferecida pelo Mombusho - Ministério da Educação do Japão, como especialista de lingua inglesa ensinando inglês nas escolas públicas do Japão. Atuou como coordenador do curso de letras da UFPE pelo período de dois anos e enquanto coordenador foi membro do colegiado de curso do CAC - Centro de Artes e Comunicação. 

Pequena Seleta

A chuva lá fora:
busco em minha memória
um dia de sol
&
Depois do toró:
as fogueiras apagadas
e crianças tristes.
&
Na rua molhada:
as bombinhas dão xabu
e muita fumaça.
&
A fogueira morta:
casca de milho e sabugos
é o que restou.
&
Mudança de tempo:
esquecida no metrô
sombrinha dobrável.
&
Sob a chuva fina:
a luz de um poste ilumina
um gato furtivo.
&
Será a fumaça
que provoca essas lágrimas
nos olhos do velho?
&
O milho no espeto
nas brasas já quase extintas:
costume ancestral.
&
A pamonha velha 
esquecida num balcão:
parece comigo.
&
Mosca na canjica:
desconhece o São João
só conhece a fome.
&
Um forte estampido
e gritos "viva São João"
cortam meu cochilo.
&
O céu clareia
somente alguns instantes:
Depois, a chuva.
&
Fumegando à mesa
um café bem nordestino:
e a chuva não pára.
&
O dia inteiro
forró na minha cabeça:
Vai-se o mês de junho.
&
Resto de fogueira:
um jumentinho a comer
sabugos de milho.
&
Início de inverno:
nessas horas de insônia
a cama gelada.
&
Madrugada fria:
mas chega a inspiração
com mais dois haicais.
&
Ah esse silêncio
nessa madrugada fria:
minha companhia.
&
Sob a chuva fina:
o vulto de um felino
atravessa a rua.
&
Silêncio quebrado
nessa madrugada fria:
o canto de um galo.
&







Biografia
https://www.escavador.com/sobre/2727157/araken-guedes-barbosa 
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